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Visita à Casa das Fiandeiras
(crônica sobre o dia em que descobri que certos fios escolhem a gente antes de serem tecidos) Acordei com Hécate animada, e esse detalhe, por si só, já me deixou alerta. O humor de uma deusa costuma anunciar que algum ponto do meu espírito será puxado até revelar um aprendizado que o mundo, por razões estéticas e um capricho universal, nunca se deu ao trabalho de ensinar. “Arrume-se” , ela disse, enquanto ajeitava um feixe de fibras secas sobre a mesa. “Hoje visitaremos as Fi

Katy Frisvold
17 de dez. de 20257 min de leitura


O Destino Começa na Pia
(Crônica de um dia em que Hécate cansou da minha preguiça e resolveu dizer a verdade) Acordei pesada. Não era tristeza, tampouco algum presságio, apenas aquela preguiça densa que se instala no corpo como neblina. Tudo parecia mais longe do que realmente estava. Levantei porque a vida exige pequenos gestos, mesmo quando não temos vontade de nada. Levantei por obrigação e fui cuidar das pequenas coisas. Lençóis, chão e louças. Coisas que organizam o mundo quando o mundo interno

Katy Frisvold
17 de dez. de 20253 min de leitura


Aquilo Que Me Deu Sentido
(Crônica de um dia em que ficar foi tudo) Eu não estava cansada do mundo. Eu estava cansada de continuar funcionando sem saber mais para quê. Nada tinha ruído. Era isso que me apavorava. O corpo obedecia. O trabalho rendia. As palavras vinham quando eu chamava. As mãos repetiam gestos antigos com precisão. Tudo operava. Nada pesava. O altar estava arrumado demais. Quando percebi isso, Hécate já estava sentada no chão, diante de mim, sem anúncio, sem espetáculo, sem gentileza

Katy Frisvold
8 de dez. de 20255 min de leitura
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